Pesquisa inédita no Estado mostra a percepção do mineiro sobre Ciência e Tecnologia

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A Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) apresentou hoje (24) para a imprensa os resultados da primeira pesquisa que mede indicadores da opinião pública sobre Ciência e Tecnologia no Estado. O trabalho foi realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – por meio do Observatório Incite (Inovação, Cidadania e Tecnociência) –, com o apoio da FAPEMIG.


Os dados foram apresentados pelo coordenador da pesquisa Yurij Castelfranchi, professor adjunto do departamento de sociologia e antropologia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FAFICH) da UFMG. Além da presença dos jornalistas e da diretoria executiva da FAPEMIG, participaram do encontro o subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Dias de Oliveira, e o presidente do Conselho Curador da FAPEMIG, João Francisco de Abreu.

 

Yurij Castelfranchi destacou a importância da enquete para promover políticas públicas de fomento a ações de divulgação científica em Minas Gerais. “Essa pesquisa foi importante para desmitificar alguns preconceitos. Por exemplo, identificamos que não é a escolaridade e o acesso à informação que definem o interesse sobre ciência e tecnologia. Essa questão está muito mais ligada aos valores, ao trabalho e à trajetória de vida do indivíduo”, explica o pesquisador.

 

Embora o estudo tenha demonstrado que a opinião dos mineiros sobre C&T é, em geral, positiva, os entrevistados manifestaram preocupação com questões ligadas à ética, controle social da C&T, efeitos sociais e ambientais e demandaram maior participação nas decisões ligadas à área. Outro ponto levantando foi a necessidade de inovar a comunicação científica, promovendo debates, encontros e eventos sobre C&T para aumentar o acesso da população à ciência. “Sabemos das dificuldades da área, mas precisamos aumentar a produtividade no setor de Ciência, Tecnologia e Inovação. É importante estarmos atentos ao relacionamento entre Governo, Instituição de Ensino e Pesquisador para promover uma comunicação pública focada no diálogo”, acrescenta Evaldo Vilela, presidente da FAPEMIG.

 

A amostra ouviu 2000 pessoas em todas as regiões de Minas, que representam a população com idade superior a 16 anos. O grau de precisão é de 95%, com erro amostral de 2% para mais ou para menos.

Principais resultados da pesquisa:

 

  • Grande parte dos mineiros de quase todas as camadas sociais declaram interesse por C&T;
  • Os interesses dos mineiros mudam também com a idade. Com o avanço da idade, aumenta o interesse sobre temas religiosos, enquanto que os jovens declaram interesse elevado para o esporte e para C&T. Adolescentes de 15 e 16 anos se interessam por ciência e tecnologia muito mais que os adultos com 55 anos de idade ou mais;
  • Os homens se declaram mais interessados do que as mulheres em esportes, política, ciência e tecnologia. As mulheres estão, em média, mais interessadas que os homens em medicina, saúde e religião.
  • O interesse em temas de C&T, medicina e meio ambiente é mais elevado em regiões menos ricas: Jequitinhonha, Vale do Mucuri, Norte de Minas;
  • As atitudes dos mineiros sobre C&T são, em geral, otimistas e positivas, prevalecendo a percepção dos benefícios da pesquisa científica, a confiança nos cientistas e seu trabalho e a valorização da importância do investimento público em C&T;
  • As pessoas mais informadas não necessariamente possuem visões mais positivas e as pessoas com visão mais cautelosa ou crítica não necessariamente possuem menor grau de escolaridade: a velha ideia de que “ignorância gera medo” está, em parte, errada;
  • 44% dos entrevistados disseram que uma das motivações do cientista é “contribuir para o avanço do conhecimento”; 39% disseram que é também “solucionar problemas das pessoas”.
  • Apesar do interesse declarado por temas científicos e tecnológicos e das atitudes positivas, o grau de acesso à informação da grande maioria dos mineiros é muito baixo;
  • O consumo de informação científica é baixo e tem como principal fonte de informação a mídia televisiva.

 

Confira o resumo executivo completo da Pesquisa aqui.