FAPEMIG sedia evento que debate setor mineral com foco no Quadrilátero Ferrífero

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Evento Mineração

Discutir a mineração, assim como a situação atual e perspectivas para a região do Quadrilátero Ferrífero. Esse foi o objetivo do 1° Fórum Futuros Econômicos para o Quadrilátero Ferrífero realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), na última quarta-feira, dia 15 de março. O evento foi uma realização do Projeto Nova Mineração, que visa estudar e fortalecer toda a cadeia produtiva da mineração.

Foram apresentados dois painéis em um total de seis palestras em que pesquisadores, professores e agentes de inovação procuraram apresentar pesquisas e projetos que buscam desenvolver e fomentar de forma sustentável o setor mineral – muito em evidência principalmente após o acidente com a barragem de rejeitos em Mariana em 2015. “Precisamos nos debruçar de forma mais intensa na mineração após o desastre e repensar sua complexidade e problemas. Pensar com uma visão mais abrangente, transdisciplinar, que não pode ser resolvida com o envolvimento de apenas um setor”, observou o diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPEMIG, Paulo Sérgio Lacerda Beirão, na abertura do evento.

Na palestra Mineração Sustentável, ministrada pelos professores do Departamento de Engenharia de Minas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Roberto Galery, Douglas Mazzinghy e Beck Nader, foram apresentados os desafios para que a produção mineral deixe um passivo menor no ambiente que circunda a atividade. Os professores mostraram pesquisas que estão sendo realizadas desde a recuperação da área lavrada, a otimização do processo com investimentos em tecnologia e inovação, ao reaproveitamento de rejeitos, esse último considerado um dos principais problemas da atividade. “De 2010 a 2030, produziremos cerca de 11 bilhões de toneladas desse material que, à primeira vista, não possui valor nenhum”, salientou Roberto Galery.

Segundo Galery, em relação aos estudos que estão sendo realizados, existem testes para a produção de uma pasta mineral com esses resíduos. Essa pasta poderia ser utilizada, tanto em pigmentos de tinta, argamassa – que pode substituir o cimento –, pelotização do material para também ser utilizado na construção civil ou mesmo para a fabricação de cerâmica. “Temos que transformar essa oportunidade em negócio. Tem muito rejeito a ser utilizado”, garantiu Galery.

Para o assessor especial da diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação para o projeto Nova Mineração, Renato Ciminelli, a visão do futuro é a integração de todos os eixos para maximizar os ganhos para o setor, a região do Quadrilátero Ferrífero e Minas Gerais. Ele lembrou que o objetivo do Projeto Nova Mineração é juntar atores para deixar a mineração mais competitiva, segura e sustentável.

Ciminelli citou algumas parcerias que estão sendo feitas com governos e universidades do exterior como a Austrália, na apresentação Benchmarketing Internacional. Ele também relatou cases de sucesso que são realizados na China, França e Suécia. O assessor e especialista em mineração falou da importância da aproximação da tecnologia e inovação para o setor. “Hoje percebemos o desenvolvimento de startups por exemplo. É preciso agregá-las à mineração”, reforçou.

Além das palestras citadas foram apresentados os temas: Progressos da Plataforma R3 Mineral para Resíduos e Rejeitos, por Fernando Lameira; Mineração no Quadrilátero Ferrífero: Desafios para os Trabalhadores em Tempos de Crise, por Cláudio Scliar – (UFMG) – Projeto de Pesquisa Conexões de Saberes sobre o Trabalho; Programas e Projetos Acelerados e Ambiciosos de Diversificação, Inclusão e Revitalização Econômica, por Renato Ciminelli; Perspectiva da Economia Agrícola para o Quadrilátero Ferrifero, por Jason de Oliveira Duarte, Ph.D em Economia Agrícola Emprapa Milho e Sorgo. Na ocasião, também foi lançado o Movimento Pró-Quadrilátero Ferrífero, apresentado por Wilfred Brandt.

 

 

Téo Scalioni