Parques tecnológicos e universidades como parceiros

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Como integrar os parques tecnológicos ao contexto e à vivência das universidades? A pergunta deu nome a um painel realizado nesta quinta (2) durante a Finit 2017 – Feira Internacional de Negócios, Inovação e Tecnologia, evento que acontece até o dia 4 no Expominas, em Belo Horizonte. A proposta foi apresentar a experiência de parques tecnológicos brasileiros e de agências de fomento, discutindo os desafios que se colocam para incentivar a inovação no Brasil.

Participaram do debate Ronaldo Pena, diretor presidente do Parque Tecnológico BH-Tec; Jorge Audy, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec); Vanderli Fava de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Educação em Engenharia (Abenge); Evaldo Vilela, presidente da FAPEMIG; e Mario Neto Borges, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Painel durante a Finit 2017 discutiu os desafios para ambientes de inovação como os parques tecnológicos (foto: Rodrigo Patrício)

 

Os palestrantes apresentaram dados que contextualizam a situação do Brasil na área. Apesar de um aumento expressivo no número de doutores formados nos últimos anos e do aumento da contribuição brasileira para a produção científica mundial, os índices de inovação são ruins. Hoje, o país ocupa a 69ª posição no ranking global, sendo que há 6 anos ocupava a 64ª posição. Apesar do retrocesso, no quesito parques tecnológicos, estamos crescendo. Se em 2000 o Brasil tinha apenas 10 ambientes como esse em funcionamento, hoje são 94.

Mudança
Todos os palestrantes concordam em um ponto: é preciso mudança. Jorge Audy enxerga essa questão como o principal desafio para alavancar a inovação. “É preciso quebrar resistências e modelos mentais”, enfatiza. Ele acredita que a universidade deve enxergar a inovação como uma terceira missão, ao lado do ensino e da pesquisa. Audy destaca, também, a necessidade de agregar valor à sociedade. “A universidade precisa se aproximar da sociedade, da qual ela faz parte”, diz. O presidente da Abenge, por sua vez, destaca a importância da mudança dentro da sala de aula, na forma de ensino e na configuração dos espaços, especialmente nos cursos de Engenharia.

Evaldo Vilela falou sobre a importância de se renovar a cultura, que precisa ser mais favorável à CT&I. Investir em ambientes de inovação, como os parques tecnológicos (mas também incubadoras, aceleradoras, entre outros), seria um caminho necessário. “Esses locais contribuem para essa mudança de cultura, pois neles se aprendem atitudes, se aprende a empreender. O empreendedorismo independe de crenças e ideologias. Empreender é resolver problemas. E isso é essencial para convencer a sociedade de que CT&I é o futuro”.

Oportunidades
Para além dos desafios, que são muitos, foram destacadas as oportunidades. Mario Neto Borges, presidente do CNPq, apresentou alguns programas do órgão para incentivar a inovação. Ele destacou a modalidade Doutorado Acadêmico Industrial (DAI), que busca inserir doutores nas empresas; e a bolsa de atração de jovens talentos (BJT), uma forma de incentivar atividades tecnológicas, a pesquisa aplicada e o empreendedorismo. Ele destacou que o desenvolvimento pleno só é alcançado quando as três pontas – ciência, tecnologia e inovação – crescem em equilíbrio.

Finalizando o painel, o presidente da FAPEMIG fez uma provocação aos presentes. “Está claro que nós sabemos fazer. Mas, então, por que as coisas não acontecem? Elas acontecem, mas precisamos de quantidade e velocidade. Tenho a convicção de que o futuro está ligado à CT&I. Mas não acreditamos nisso como país. Por isso, é essencial que a ciência - e nós, cientistas – se aproxime do poder político, dos órgãos de controle e da sociedade. É difícil, mas é o único caminho”.

 

 

Vanessa Fagundes