Funed lança livro do Programa de Incentivo à Inovação

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Ontem (12), foi lançado o 12º livro com os resultados do Programa de Incentivo à Inovação (PII), agora contemplando trabalhos desenvolvidos pela Fundação Ezequiel Dias – Funed. O encontro foi na sede do Sebrae Minas e contou com a participação do Gerente de Sustentabilidade e Inovação do Sebrae, Anízio Dutra Vianna; do secretário adjunto de Ciência Tecnologia e Ensino Superior (Sectes), Vinícius Barros Rezende e da vice-presidente da Funed, Carmen Lúcia Soares Gomes.

O PII chegou à Funed em 2013 e identificou 41 projetos de grande potencial inovador. Destes, 17 Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica, Comercial e de Impacto Ambiental e Social (EVTECIAS) foram feitos e registrados no livro de resultados. Por estarem diretamente ligados à área de saúde, os projetos têm impacto direto na qualidade de vida da população e estão relacionados a pesquisas avançadas de medicamentos, vacinas e tecnologias que ampliam as soluções para tratamento de doenças, controle de epidemias e melhoria da qualidade de vida da população. Para Esther Margarida Bastos, diretora de pesquisa e desenvolvimento da Funed, o PII foi de grande importância porque ele veio mudar a cultura da Fundação, em um momento em que os pesquisadores estavam com a autoestima prejudicada por uma série de motivos. “O Programa chegou com uma visão de fora que ofereceu um diagnóstico que dificilmente seria percebido por nós. Foi muito interessante o processo porque ele ajudou o pesquisador a perceber o potencial tecnológico do seu projeto e a pensar em outras soluções, além da aplicação inicial”, conta.

De acordo com Anízio Dutra Viana, o papel do Sebrae é transformar o conhecimento gerado no estado em negócio e a ferramenta usada na Funed foi o PII.  “O Programa avalia o grau de desenvolvimento daquela pesquisa e não se ela é melhor ou pior que outra. O nosso papel é levar uma metodologia, o ritmo de trabalho é da própria instituição. Hoje, estamos lançando o livro, mas o trabalho não acaba. A cultura de inovação fica na Funed”, afirma Anízio.

Da bancada para o mercado

O cotidiano de um pesquisador inclui anos de pesquisas, análises e testes, mas não contempla treinamentos que lhe mostre a comercialização do produto de sua pesquisa no mercado. Foi exatamente isso que o PII fez: mostrou aos pesquisadores que é possível sair de suas bancadas e mostrar as pesquisas como produtos. As pesquisadoras Luciana Maria Silva, Letícia da Conceição Braga e Fernanda Coelho viram todo esse processo de perto e desenvolveram um exame capaz de predizer a resposta quimioterápica de pacientes com câncer de ovário. Elas usam os dados moleculares das pacientes para entender porque algumas são resistentes ou sensíveis aos tratamentos empregados. “Como o câncer de ovário é uma doença de baixa prevalência, alta letalidade e de diagnóstico precário, esse exame vai auxiliar na seleção de pacientes que vão passar por quimioterapia, para indicar quem tem mais chance de responder positivamente a determinado tratamento”, explica Luciana Silva. Apesar de o processo ainda estar em andamento, as pesquisadoras já perceberam que o princípio inicial pode ser usado em outros tipos de câncer, por isso fundaram a Oncotag, empresa especializada em tratamento personalizado para pacientes oncológicos e medicina personalizada. A empresa será a primeira Spin-off da Funed, ou seja, é uma empresa que nasceu a partir de um grupo de pesquisadores da Instituição, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), visando explorar um novo serviço ou produto de alta tecnologia.

Programa de Incentivo à Inovação

O PII começou em Minas Gerais há oito anos, por meio de uma parceria entre Sebrae Minas, Sectes e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). Desde então, foram realizados 15 Programas de Incentivo à Inovação no estado, com 280 projetos de pesquisa selecionados e publicados. Até 2014, foram investidos R$23 milhões de recursos, vindos de órgãos de fomento, investidores, venda de patentes e transferência de tecnologia. O valor supera em mais de três vezes o aporte feito pelos parceiros do Programa.