FAPEMIG apoia pesquisa sobre o uso de espécies vegetais no tratamento de efluentes

Compartilhe

​Soluções de baixo-custo para a sustentabilidade no campo são importantes para famílias e agricultores em diversos níveis de produção. Na Universidade Federal de Viçosa (UFV), um grupo de pesquisadores desenvolveu pesquisa sobre o tratamento e o aproveitamento sustentável de resíduos orgânicos em sistemas de baixo custo, como os alagados construídos, e concluiu ser possível reduzir a presença de poluentes (como os inseticidas), a partir do uso de espécies vegetais, como a erva-de-bicho e a menta aquática.

O coordenador do projeto, professor Alisson Carraro Borges, do Grupo de Pesquisa em Qualidade Ambiental (GPQA) da UFV, orienta trabalhos com o objetivo de avaliar a tratabilidade de efluentes nos alagados construídos, que são reservatórios construídos com material poroso. “Acreditamos que este modelo é sustentável devido ao uso da interface solo-planta”. Dentre as aplicações práticas, famílias podem usar um alagado construído como solução local para o tratamento de efluente: “Em relação ao poluente específico, o inseticida, a aplicação deve ser mais bem estudada, mas você pode visualizar sem problemas um sistema solo-planta tratando águas residuárias de lavagem de galões (vasilhames) desse tipo de composto”, explica o professor.

Alisson Borges destaca que os estudos em sustentabilidade são essenciais para o desenvolvimento humano, sendo a contribuição para um desenvolvimento mais sustentável um dos motivos que o estimulam a pesquisar na área: “Costumo usar em sala de aula a analogia de que somos uma astronave com suprimentos e combustíveis, mas que temos escondido os resíduos produzidos debaixo do tapete da própria embarcação. A motivação passa por aí: sobrevivência e futuro melhor para nossa descendência”.

O projeto foi desenvolvido com financiamento da FAPEMIG, entre 2009 e 2011, e é parte de uma linha de pesquisa que tem foco no uso de sistemas alagados construídos, conhecidos internacionalmente como wetlands, na remediação de poluentes aquáticos. “O Brasil possui um bom número de pesquisadores estudando o tema, agregados a um grupo maior chamado Wetlands Brasil”, destaca o professor.

Atualmente, o professor e o grupo de pesquisadores do GPQA / UFV desenvolvem dois novos projetos com financiamento da Fundação: um sobre a remoção do arsênio via fitorremediação e outro sobre gestão de resíduos em núcleos do programa Minha Casa, Minha Vida, esse de extensão em interface com a pesquisa. “Também temos outros projetos em andamento, em colaboração com os outros pesquisadores do GPQA, como o professor Antonio Matos e a professora Paola Lo Mônaco. Além dos alagados, estudamos digestão anaeróbia e ozonização”.

Interessados no tema podem visitar o site do grupo no endereço www.gpqa.ufv.br. Visite também o site do Departamento de Engenharia Agrícola da UFV: www.dea.ufv.br.