FAPEMIG é a primeira FAP a aderir a dois documentos importantes para a Ciência

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A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) promoveu na manhã de hoje (08) um encontro especial que homenageou seus antigos dirigentes e reinaugurou o auditório da Fundação, batizado com o nome de seu ex-presidente do Conselho Curador, o pesquisador Carlos Ribeiro Diniz.

Durante a solenidade, a FAPEMIG aderiu ao documento “Rigor e Integridade na Condução da Pesquisa Científica”, da Academia Brasileira de Ciências (ABC), e ao “Manifesto sobre Ciência e Criacionismo”, da Sociedade Brasileira de Genética (SBG). A FAPEMIG foi a primeira Fundação de Amparo à Pesquisa a assinar os dois documentos. O primeiro é um Guia que estabelece valores, princípios e orientações para a condução da pesquisa científica e a comunicação de seus resultados. Já o Manifesto é um documento público da SBG que busca comunicar que não existe qualquer respaldo científico para ideias criacionistas que vêm sendo divulgadas em escolas, universidades e meios de comunicação. O objetivo do comunicado é esclarecer a sociedade brasileira e evitar prejuízos no médio e longo prazo ao ensino científico e à formação dos jovens no país.

De acordo com o presidente da FAPEMIG, Evaldo Vilela, esses documentos são fundamentais para a ciência e a adesão a eles confere mais visibilidade à discussão. “Documentos como esses são especialmente importantes em momentos de crise como esse que o Brasil está passando. Mas, na minha opinião, a crise é mais cognitiva do que econômica ou política, pois, enquanto nós não aprendermos que a ciência pode transformar esse país, continuaremos perdendo cérebros e ativos”, afirma.

Para Mario Neto Borges, da área de Parcerias Internacionais do Conselho Nacional das Fundações de Amparo à Pesquisa (Confap) e ex-presidente da FAPEMIG, o pioneirismo da Fundação é antigo. “É importante lembrar que a FAPEMIG também foi a primeira FAP a se tornar membro da Academia Brasileira de Ciências”, lembra.

Após a assinatura dos documentos, o pesquisador Sérgio Danilo Junho Pena, que também é membro da SBG e professor da UFMG, fez palestra em comemoração aos 150 anos do primeiro artigo publicado de autoria de Gregor Johann Mendel – importante cientista conhecido como o “pai da genética. Em seguida, a pesquisadora e professora adjunta do Departamento de Bioquímica e Imunologia da UFMG Liza Figueiredo Felicori Vilela apresentou o tema “Criação do Primeiro Núcleo de Biologia Sintética de Minas Gerais”.

Confira as fotos do evento.

Quem foi Carlos Ribeiro Diniz

Natural de Luminárias, Sul de Minas Gerais, Diniz foi um dos primeiros cientistas a estudar venenos de escorpiões, aranhas e serpentes, com notável contribuição para o conhecimento de suas toxinas e mecanismos de ação. Em 1943, Carlos Diniz graduou-se em Medicina e foi contratado como professor assistente de Química Fisiológica na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na década de 1960, destacou-se pela militância em prol do fortalecimento da Ciência e Tecnologia em Minas Gerais. Sua liderança foi decisiva para a construção do Instituto de Ciências Biológicas (ICB), a princípio na Faculdade de Medicina e, posteriormente, no campus. Nos anos 1980, trabalhou para criação da FAPEMIG. No papel de presidente do Conselho Curador, lançou mão de seu prestígio junto à comunidade científica para garantir o percentual orçamentário que sustenta a Fundação.