Pesquisa sobre a presidência na América Latina é premiada por associação americana

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A pesquisa “Presidência Internacional na América Latina”, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), recebeu reconhecimento internacional. O trabalho foi selecionado pelo American Political Science Association (APSA) como melhor paper sobre Executivos apresentado em 2014. As coordenadoras do projeto Magna Inácio, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e Mariana Llanos, do German Institute of Global and Area Studies(GIGA), receberam o prêmio, em agosto, em uma cerimônia em São Francisco, nos Estados Unidos.

“Para a ciência política latino-americana este é um reconhecimento importante, pois mostra que a pesquisa comparada das Presidências pode contribuir para teorias mais robustas e sofisticadas sobre como os presidentes coordenam o poder executivo e com isso afeta a própria democracia”, explica Magna Inácio. As pesquisadoras, que atuam em conjunto por meio de uma parceria internacional, propõem um olhar inovador para a área com o objetivo de explicar as diferenças na capacidade de governar, a partir do modo de organização da estrutura que dá suporte à presidência.

A investigação comparativa está sendo realizada em países selecionados com base nos tipos de governos: unipartidários, na Argentina e México; de coalizão, no Brasil e Chile; e misto, no Uruguai e Peru. Desta forma, buscam analisar de que maneiras as presidências tem se expandido nas últimas décadas após a redemocratização nos países, entre 1980 e 2013.

Diante dos estudos, uma das principais hipóteses testadas é que o tipo de governo afeta as mudanças na organização presidencial. “O custo de coordenar governos de coalizão é alto e isso pode incentivar o presidente a centralizar decisões e políticas dentro da presidência para ampliar o controle sobre o gabinete e a preservar a sua liderança no processo decisório”, afirma a pesquisadora. As diferenças no desempenho dos presidentes na América Latina não decorrem apenas de estilos ou habilidades políticas, mas principalmente de como eles criam condições institucionais para liderar.