Livro retrata o processo de autoconstrução de ocupações em Belo Horizonte

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Brígida é moradora e coordenadora da Ocupação Eliana Silva, localizada na Região do Barreiro. Na fase inicial, ajudava na cantina e cozinhava para os ocupantes. Morou em uma barraca de camping por seis meses, enquanto o marido, que era pedreiro, construía o muro e a base da casa. Já Seu Tião está na Eliana Silva desde o início, quando morava em uma barraca de lona com sua esposa. É aposentado e aderiu à Ocupação para fugir do valor alto de aluguel que pagavam em uma quitinete, no bairro Tirol. Após o sorteio dos lotes, foi um dos primeiros a construir sua casa de alvenaria, comprando material “fiado” no depósito ao lado da Ocupação.

As histórias de Brígida, Seu Tião e de outros moradores fazem parte das conversas com residentes publicadas no livro Saberes [auto]construídos. A professora Denise Morado, da Escola de Arquitetura da UFMG, coordenadora de ações de extensão e do Grupo Praxis/UFMG, organizou o livro que se tornou um registro dos diálogos estabelecidos entre professores, pesquisadores, estudantes de arquitetura e autoconstrutores durante anos.

Para Denise Morado, o livro com o resultado da pesquisa desenvolvida nas ocupações é importante para que o conhecimento chegue à população. “O objetivo é que esta experiência seja de conhecimento não só da universidade, mas principalmente dos moradores e da comunidade. Neste sentido, o livro é importantíssimo para que as pessoas entendam melhor o que são essas ações partilhadas no cenário atual”, afirma.

O e-book tem texto de oito autores, dividido em seis capítulos, que resgata os processos produtivos do espaço urbano em bases econômicas, sociais e culturais legitimadas por ações políticas conjuntas. O livro foi editado pela C/Arte, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Proex/UFMG, Capes e CNPq. O livro será lançado até o final de agosto e estará disponível por R$24,90, mas já é possível a visualização dele neste link.

Atualmente, são mais de 467.480 pessoas morando em ocupações irregulares em Belo Horizonte. É uma população que está imersa na ilegalidade urbana e traz à tona a necessidade de refletir a intervenção, a norma e a legislação. Pensando nisso, o trabalho de extensão atuou, a partir do Grupo Praxis/UFMG, desenvolvendo uma assessoria técnica baseada numa relação de parceria com os moradores. Segundo Morado, o projeto de extensão Diálogos, também apoiado pela FAPEMIG, “contribui para melhorar o acesso ao direito à cidade e à moradia, a partir do momento em que as condições habitacionais de famílias de baixa renda também são melhoradas”.