Sistema desenvolvido por pesquisador pode auxiliar contra Zika Vírus

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Mais uma doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti vem assombrando a população: a Febre Zika, transmitida pelo vírus Zika. O vírus está relacionado a 1.761 casos de contaminação, em 422 municípios, segundo balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, do dia 8 de dezembro. A Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte também informou que está investigando a relação do vírus Zika com casos de microcefalia em Minas Gerais.

Além disso, até maio deste ano, foram notificados mais de 1 milhão de casos de Dengue e 2 mil casos confirmados de infecção pelo vírus Chikungunya, ambas causadas pelo mosquito. Há mais de 10 anos, o pesquisador Álvaro Eiras, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), criou um sistema de controle do mosquito por meio do Monitoramento Inteligente da Dengue (MI-Dengue). Ao invés de visitar casa a casa para procurar os focos do mosquito, o pesquisador desenvolveu uma tecnologia que usa armadilha – o atraente para a fêmea – dispositivo móvel e site em tempo real, que permite localizar focos no mosquito.

Com o surto do Zika vírus, o pesquisador conta como tem abordado o tema. “O que estamos fazendo agora é o desenvolvimento de testes para análise do mosquito da Dengue que permita diagnosticar o Zika vírus em mosquitos adultos capturados. Esta informação processada em uma semana pode ser crítica para evitar centenas ou milhares de casos. No entanto, uma vez que não existe vacina contra a Dengue, Chinkungunya e agora o Zika vírus, a única solução é o combate ao vetor, e é justamente isso que nossa tecnologia MI-Dengue tem efetivamente realizado e com grande sucesso”, afirma Álvaro Eiras.

Estrutura

A armadilha chamada de MosquiTRAP conta com uma fita adesiva, em que a fêmea do mosquito, responsável pela transmissão do vírus, fica grudada, morre e deixa de colocar ovos. O monitoramento é feito a partir de armadilhas instaladas em toda a cidade. Semanalmente, o agente de saúde vai até a MosquiTRAP, faz a contagem dos mosquitos capturados e envia os dados pelo celular para um sistema de internet. Como as armadilhas também são georreferenciadas, é possível identificar, em um mapa, quais são as regiões com mais mosquitos, para que as autoridades saibam onde concentrar as ações de combate à Dengue. Os casos de Dengue, Chikungunya e Zica vírus também podem ser colocados nos mapas.

Resultados

Segundo o pesquisador, durante 2009 a 2011, a Secretaria do Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) realizou um projeto em 21 cidades prioritárias do Estado para avaliar a aplicação da tecnologia MI-Dengue. Em 2013, os resultados foram publicados em um artigo científico na revista Emerging Infectious Diseases, onde ficou comprovado a redução média de casos de Dengue de aproximadamente 60% nos municípios que adotaram o MI-Dengue; ou seja, houve uma redução de mais de 27.000 casos nas cidades que usaram a tecnologia, trazendo uma economia de cerca de R$ 18 milhões aos cofres públicos do Estado em custos diretos e indiretos.

Reconhecimento

O MI-Dengue já foi apontado como “o melhor dos melhores” em inovação tecnológica, no Tech Museum Awards, 2006, na categoria Saúde, no Vale do Silício (USA) onde a pesquisa foi elogiada até mesmo por Bill Gates.  Em abril de 2013, a tecnologia também foi premiada pela Fundação Thomas Edison (Chicago, USA), na categoria de Tecnologia com Impacto Social e Qualidade de Vida. Além dessas conquistas, o MI-Dengue foi selecionado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), como um dos 70 projetos destaques avaliados por meio dos pitches – vídeos de curta duração. Durante os dias 23 e 24 de novembro, ele foi apresentado no evento INOVA Minas, em Belo Horizonte.

Comercialização

Ao longo de mais de 10 anos de existência, a Ecovec, empresa ‘spin-off’ da UFMG, que licenciou as Tecnologias da UFMG e FAPEMIG, já faturou mais de R$10 milhões com a solução MI-Dengue.  Inicialmente, o MI-Dengue foi concebido para ser comercializado na forma de prestação de serviços, oferecendo uma solução completa para os municípios e estados brasileiros. No entanto, a partir da validação de várias instituições de pesquisas, foi possível trabalhar em parceria com os municípios oferecendo o serviço completo ou parte dele. Por isso, o preço varia do tipo de projeto a ser desenvolvido, mas está em torno de R$ 1,00 por habitante ao ano.

O pesquisador conta que já fizeram propostas para instituições públicas que iriam se responsabilizar por parte da prestação dos serviços do MI-Dengue, permitindo que o custo de incorporação da tecnologia fosse de R$ 0,50 por habitante ao ano, nas áreas que o MI-Dengue fosse implantado. “Se conseguirmos viabilizar parcerias como esta, certamente vamos aumentar as chances de difusão da tecnologia devido ao seu baixo custo e eficácia já comprovada”, declara.