FAPEMIG no VII Encontro dos Docentes de Pós-graduação do CEFET-MG

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O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), Evaldo Vilela, e a assessora adjunta de inovação, Elza Fernandes, vão representar a Fundação no VII Encontro dos Docentes de Pós Graduação stricto sensu do CEFET-MG, que tem como tema a Internacionalização, Inovação e Pós-graduação: Desafios integrativos.

Refletir sobre o uso da língua inglesa como meio de instrução para a Pós-graduação, apresentar linhas de financiamento internacionais e as agências responsáveis e pensar sobre a importância da inovação nos programas de Pós-Graduação são um dos objetivos do evento.

O evento também marcará a abertura da exposição itinerante “Auschwitz em Imagens e Sensações”, que foi concebida a partir da experiência de alunas do Programa de Pós-graduação em Estudos de Linguagens e do Bacharelado em Letras do CEFET-MG e intercambistas na Eötvös Lórand University/Hungria. Confira a entrevista sobre o trabalho:

FAPEMIG: Antes de irem para a Hungria, vocês já tinham a ideia de fazer o trabalho? Como surgiu a motivação?

Laura Alice Souza da Silva:  Fomos para a Hungria em épocas diferentes. Ana Cavalcanti, aluna da Graduação em Letras foi no final do verão de 2014 (agosto), Andreia, aluna do programa de Mestrado em Estudos de Linguagens foi no outono de 2014 (setembro) e eu, também do mestrado, fui a última a ir, em fevereiro de 2015 (primavera).  Após a minha visita à Polônia, já em maio de 2015, conversei com as colegas que já tinham ido ao campo de concentração e elas relataram experiências bem diferentes das minhas. Foi então que tivemos a ideia de trazer para o Brasil essa experiência e compartilhar com o público. Submeti o desejo de fazer a exposição à Professora, Inês Gariglio, Secretária de Relações Internacionais do CEFET-MG, e prontamente ela apoiou a ideia.

FAPEMIG: Antes dessa experiência, como vocês lidavam com o tema. O que mudou após a experiência in loco?

Laura Alice Souza da Silva: Em relação ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial, a minha percepção era superficial. Estudei sobre o conflito nas aulas de História no Colégio e já havia visto filmes e notícias na mídia. A história é para mim tão absurda que até então parecia ficção. Estar na Hungria, estar em Auschwitz na Polônia é como levar um choque, alta tensão. Aconteceu, é real e as provas ainda estão lá. O que mudou foi ver, tocar, sentir o cheiro, pôr os pés no lugar onde tudo aconteceu. Não é algo descritível. Felizmente o que trouxemos e vamos compartilhar com a sociedade remonta a sensação de cada uma de nós. Daí surgiu o nome da exposição "Auschwitz em Imagens e Sensações". São fotografias, impressas em banners de pano.  Tudo muito simples buscando a reflexão sobre o Holocausto e mantendo o foco na percepção de cada artista e nas reações que as imagens poderão causar ao público.

FAPEMIG: Como vocês perceberam a população local? Que “fantasmas” do holocausto ainda perduram nas proximidades?

Laura Alice Souza da Silva:  Nós três moramos na região central de Budapeste, que é uma cidade maravilhosa, porém com os vestígios da Segunda Guerra. Ainda é possível notar prédios em ruínas que foram bombardeados durante a segunda Guerra, especialmente no Bairro judeu, onde ficava situado o Gueto. O que sobrou do muro erguido pelos soldados Alemães para confinar os Judeus ainda está lá. Os prédios bombardeados e em ruínas também está (mando foto em anexo). As pessoas contam de seus parentes perdidos durante a guerra. O fato parece mais próximo não só no espaço mas também no tempo. Os vestígios são tantos e tão visíveis que me pareceu que a Segunda Guerra acabou ontem. 

 
FAPEMIG: Que critérios foram usados para a seleção das fotos?


Laura Alice Souza da Silva: Tiramos sim algumas fotos. Não foram muitas, porquê, embora Auschwitz hoje seja um museu, o lugar foi palco de muitos horrores, nem sempre a gente pensa em fotografar, e não fomos lá com esse objetivo (trazer fotos para uma exposição). Não. Algumas fotos inclusive são bem caseiras, e outras, em respeito às vítimas não foram selecionadas para a exibição. As minhas, por exemplo, foram feitas com dispositivo móvel. Outras estão com a resolução baixa, outras sem o foco adequado. Tudo isso fez parte da nossa experiência, do que sentimos, vimos e vivemos lá. E estas fotos estão na exposição! O critério foi o sentimento, a vivência de cada uma de nós. Pessoas diferentes vivências diferentes, é impossível reagir a tudo que vimos de forma padronizada. E isso é interessante na exposição, o público poderá perceber de diferentes formas nosso ponto de vista. Não é, nem de longe, uma exposição padrão, bonitinha e que causará sensações aconchegantes. É pra incomodar, despertar, conscientizar! Como aconteceu conosco lá. O que fizemos, junto à Professora Dra. Giani David Silva, curadora da exposição, foi dividir a obra em três partes (eis o critério): Auschwitz em Preto & Branco da Andreia Oliveira, que foi em na Polônia no outono, clima frio, chuva, sombrio. Auschwitz em Cores são fotos minhas, mais coloridas, porque fazem parte da percepção que eu tive na primavera. Ana Cavalcanti terá as fotos da Fábrica de Schindler expostas, são fotos internas e com contexto bem intenso.

FAPEMIG: Na opinião de vocês, qual a importância do trabalho para trazer o tema do preconceito (em todos os matizes) à tona?

Laura Alice Souza da Silva:  A questão do preconceito ainda é muito latente na sociedade em todo o mundo. Diversos são os motivos, e geralmente são os (motivos) políticos que, ao meu ver, levam ao preconceito racial, intolerância religiosa. Eu mesma sofri preconceito racial na Hungria, o que pode ser ainda um vestígio da Segunda Guerra, uma resistência local ao diferente. O nosso trabalho desperta as pessoas para uma questão muito importante: a intolerância e o extremismo podem levar o ser humano a cometer genocídio, a exemplo do Holocausto, do ataque do Japão à China, do preconceito entre classes no Brasil. Eu particularmente estou muito preocupada com o que ocorre atualmente com os refugiados sírios. A Hungria, que foi porta de saída dos Judeus para Auschwitz e outros campos de concentração, hoje poderia ser a porta de entrada para abrigar e receber os que precisam de ajuda, de abrigo. Não é o que está acontecendo. O primeiro ministro da Hungria pediu que os refugiados ficassem na Turquia e que não tinha como garantir a segurança deles no país. A Alemanha e a Áustria abriram as portas, a Hungria não. Porquê?

Então a exposição é sim forma de despertar. Não foram só os Judeus a serem dizimados na Segunda Guerra. Foram os gays, irmãos gêmeos, presos políticos. O diferente ainda incomoda, e é preciso aprender a conviver com as diferenças. Podemos fazer um paralelo com o que ocorre atualmente. Será o caso dos Sírios o início de um outro Holocausto?