Mineiras protagonizaram a luta por direitos no início do século XX

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No dia 8 de março, celebra-se o dia internacional da mulher, data que se tornou símbolo de lutas e conquistas. Para trazer à tona a história das protagonistas dessas ações em Minas Gerais, a professora e historiadora Cláudia Maia, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), desenvolve a pesquisa Mineiras Insubmissas: emancipação feminina e práticas feministas em Minas Gerais na primeira metade do século XX. O projeto tem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

“O objetivo principal da pesquisa é mostrar que as mulheres do início do século não eram só mães, esposas e donas de casa. Queremos mostrar aquelas que não se submeteram a esse modelo de passividade feminino e lutaram pela igualdade”, afirma Cláudia. De acordo com a pesquisa, há um silêncio que apagou por muito tempo a existência das mulheres, excluindo-as da cena pública e fixando-as de forma estática, única e universal no espaço privado e restrito do lar.

Contrapondo à época, as mineiras desempenharam importante papel. Na primeira fase da pesquisa, enfoca-se o início do século XX, principalmente a década de 1920. Nesse período, destacam-se três mulheres relevantes: Maria Lacerda de Moura – uma das maiores intelectuais brasileiras nesse período; Mietta Santiago – a primeira mineira a conquistar na justiça o direito de votar e ser votada; e Elvira Komel – que criou e comandou o Batalhão Feminino João Pessoa.

Para compreender a importância delas, a pesquisadora enfatiza o caso de Elvira, que nasceu em Barão de Cocais, formou-se em direito e tornou-se líder do Batalhão Feminino. Ela e suas companheiras auxiliaram os soldados na Revolução de 1930, ação que teve grande visibilidade. As atividades consistiram em formar salões de costura em Belo Horizonte, onde trabalhavam voluntariamente na confecção de uniformes, lençóis, ataduras e distintivos. Ao final, contavam com cerca de 8.000 filiadas. Com a vitória da revolução, o batalhão foi transformado em associação feminina e continuou lutando pela ampliação dos direitos políticos. Elvira empenhou-se nisso, mas morreu em 1932, antes de ver a aprovação do voto feminino que ocorreu no mesmo ano.

Entre as conquistas femininas, está o direito de votar e de ser votada, principal reivindicação da chamada “primeira onda” do feminismo e o reconhecimento das mulheres como sujeitos jurídicos, no caso do Brasil com a revogação de artigos do Código Civil que restringia a liberdade e autonomia em administrar bens, exercer tutoria e trabalho remunerado. O ingresso progressivo no mercado de trabalho e nas carreiras profissionais e o acesso à escolarização em todos os níveis de formação também foi conseguida, assim como maior controle e autonomia em relação ao próprio corpo.

Como resultado desse trabalho, a pesquisadora e a professora Vera Puga lançaram o livro História das Mulheres e do gênero em Minas Gerais, financiado pela FAPEMIG, e disponível para aquisição no site da Editora Mulheres. Os textos mostram diferentes olhares sobre as mulheres mineiras: transgressoras e insubmissas mineiras; damas, donas do sertão; saberes e fazeres femininos; casamento e maternidade e mecanismos de um destino social.