Pesquisadores da UFV desenvolvem tecnologia nacional para regeneração óssea

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Pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) estão desenvolvendo, com abordagens inovadoras, biomateriais para aplicações na área veterinária, que auxiliam a regeneração óssea. Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), o projeto Desenvolvimento de tecnologia nacional, caracterização e aplicação clínica-cirúrgica de biomateriais e terapia celular, coordenado pela pesquisadora Andréa Borges, do departamento de Medicina Veterinária, tem demonstrado que os produtos nacionais podem prover os sistemas de saúde brasileiros com produtos de alta qualidade, mais econômicos, seguros e eficientes.

Um dos diferenciais é o custo, pois o uso de tecnologia nacional e mineira diminui o preço final. “Os produtos importados estão no mercado há anos, porém o custo de importação e a disponibilidade encarecem os sistemas de saúde do Brasil”, comenta Andréa. Esta nova tecnologia desenvolvida é indicada para o uso em animais, para casos de perda óssea, por traumatismos, como acidentes de trânsito, quedas graves, atropelamentos e outros, ou por doenças de diversas origens que levam à perda do tecido ósseo, como as neoplasias, a doença periodontal e a osteoporose. No entanto, a pesquisadora ainda acrescenta que a expectativa é que esses produtos testados nos modelos animais possam ser transpostos, beneficiando também os seres humanos.

Percebeu-se que, para ocorrer a regeneração, é preciso que haja um arcabouço para as células ósseas usarem como meio de migração, sustentação e produção da matriz óssea. “A hidroxiapatita (elemento que representa 99% do cálcio corporal e 80% do fósforo total) é o principal componente da matriz mineral do osso, sendo chamada de osteocondutora”, explica a pesquisadora. Ela detalha ainda que, como é uma cerâmica, é frágil e pode não suportar as cargas mecânicas recebidas pela região na qual está implantada. Dessa forma, está associada a um material de outra classe como os polímeros, a fim de que essa desvantagem seja superada e, em alguns casos, o produto final seja superior ao uso isolado dos componentes.

Resultados
A pesquisadora aponta que, por meio de análises radiográficas e histológicas (dos tecidos biológicos), o compósito de hidroxiapatita e lignina (que tem função de atribuir rigidez, impermeabilidade e resistência aos tecidos vegetais) foi capaz de promover a osteocondução e osseointegração do implante com o tecido ósseo, além de comprovar que o compósito é biocompatível, ou seja, não sofre rejeição pelo organismo.

Esses resultados impulsionam novas pesquisas com esse material. “Espera-se avaliar por um tempo ainda maior a interação do biomaterial com o tecido ósseo e, com isso, avaliar a resposta a longo prazo”, comenta a pesquisadora. Nesse contexto, o compósito poderá substituir o polimetacrilato, atualmente utilizado em próteses de implantes metálicos, com objetivo de promover adesão entre implante metálico e endósteo (camada de tecido conectivo vascular que reveste a cavidade medular do osso).