Batata-doce é potencializada para produção de biocombustível

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A produção de biocombustíveis é impulsionada mundialmente por fatores ambientais e econômicos. Uma das culturas que podem apresentar melhores resultados para a produção de álcool biocombustível é a batata-doce. Nesse sentido, o projeto Batata-doce, a biomassa para etanol biocombustível que contribui para o aumento da produção de alimentos, coordenado pelo professor Wilson Magela Gonçalves, do Departamento de Agricultura, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), vem buscando obter e disponibilizar novos clones de batata-doce que permitam a sua efetiva utilização como alternativa para a produção de etanol combustível e, ao mesmo tempo, contribuam para a produção de alimentos para a nutrição humana e animal.

 

Para avaliar o potencial dos clones de batata-doce, os pesquisadores usaram alguns critérios de seleção para definir quais aptidões os clones de batata-doce apresentavam. Dentro do programa conduzido na UFLA, foram identificadas aptidões relativas às raízes para consumo in natura, para nutrição animal ou para produção de etanol biocombustível. “Isso inclui pelo menos cinco clones com tripla aptidão, seja para alimentação, etanol ou nutrição animal. Destacam-se entre eles os clones UFLA-07-12 e UFLA-07-49, que apresentam altíssimas produtividade para as três funções”, aponta Wilson.

 

De acordo com a pesquisa, em comparação com a cana-de-açúcar, a batata-doce pode produzir de 40 a 100 toneladas de raízes em cada ciclo, o equivalente a 6.400 a 16.000 litros de etanol por hectare. A cana-de-açúcar tem um rendimento de aproximadamente 8.100 litros por hectare. Além disso, a batata-doce pode ser plantada em todo o território nacional, inclusive em regiões onde, por força do regime hídrico, a cana-de-açúcar não se adapta. Wilson Magela acredita que, com clones selecionados para a produção de biocombustível, torna-se possível admitir que, ao longo de um ano, o rendimento em álcool da batata-doce possa chegar a ser quatro vezes maior que o da cana-de-açúcar.

 

Além dessas características, o pesquisador enfatiza as vantagens socioeconômicas e ambientais do cultivo para a produção de álcool etílico. “A batata-doce é explorada em geral pela agricultura familiar, possui baixa emissão líquida de CO2 para a atmosfera, e os resíduos sólidos gerados no processo de obtenção de álcool, misturados à folhagem, podem ser utilizados como ração para a pecuária”, acrescenta. Diante disso, os pesquisadores visam disponibilizar novos clones de batata-doce que permitam a sua efetiva utilização na produção de etanol combustível, ao mesmo tempo gerando resíduos para alimentação animal e contribuindo para o incremento da produção de alimentos.

 

Desafios

Apesar do potencial, o cenário para essa produção não é positivo, segundo Wilson, pois com a queda dos preços do petróleo, que chegou a atingir 150 dólares o barril, e atualmente está na média de 35 dólares, os combustíveis alternativos, incluído o etanol proveniente da cana-de-açúcar, deixaram de ser interessantes economicamente a curto prazo. “Acredita-se que a recuperação de preços de petróleo venha a ocorrer em algum momento nos próximos anos, o que, aliado às demandas ambientais, venha a reacender o interesse por combustíveis alternativos em geral”, aponta Magela.

 

Enquanto isso, continuam os desafios para otimizar a batata-doce como matéria-prima para biocombustível. De acordo com a pesquisa, ainda é preciso melhoramento genético para obter novos clones de batata-doce resistentes a doenças e pragas de solo e aptas para consumo in natura. Além de melhorar a eficiência dos sistemas de produção de mudas, a mecanização do transplante de mudas e da colheita da batata e o aproveitamento de resíduos da destilação do etanol na produção animal. “Enquanto a pesquisa com a cana-de-açúcar em diferentes regiões brasileiras conta com centenas de pesquisadores por ano, com a batata-doce este número não chega a uma dezena”, acrescenta o pesquisador.

 

Roberta Nunes