Fapemig investe em novo procedimento cirúrgico para tratamento de traumas encefálicos

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 CC0 Public DomainUma nova técnica cirúrgica para o tratamento do Hematoma Subdural Agudo (HSDA) em traumas encefálicos vem sendo desenvolvida, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), por uma equipe de professores e neurocirurgiões. Eles são ligados ao Núcleo de Habilitação/Reabilitação em Esportes Paralímpicos (NH/RESP) e Laboratório de Projetos Mecânicos, ambos sediados na Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Neste projeto foram investidos R$ 48.000,00 por meio da modalidade Programa Pesquisador Mineiro.


O HSDA é originado a partir de traumas encefálicos, nos quais observa-se a formação de um hematoma cerebral com sangramento no interior de uma das membranas do encéfalo. Esses traumatismos cranianos relacionados a rápidas desacelerações são, basicamente, de dois tipos: o hematoma subdural agudo, que ocorre devido a uma lesão grave na cabeça e é o tipo mais perigoso; e o hematoma subdural crônico, decorrente de um trauma menor na cabeça. A sequência para sua formação é demonstrada a seguir.

 

O tratamento verificado pelo professor e médico neurocirurgião da UFU, Antonio Geraldo Diniz Roquette, juntamente com o engenheiro mecânico, Ricardo Fortes Miranda, e diversos pesquisadores, é denominado Craniotomia Vértex-basal com Fenestrações Durais – CVBFD. Desde a sua implementação, está salvando vidas, principalmente, em função do trauma, nos casos em que o hematoma causa altos níveis de pressão intracraniana. Com este novo procedimento, foi observada redução em cerca de 20% da morbi-mortalidade dos pacientes nas cirurgias realizadas, em comparação com a cirurgia convencional, chamada Craniotomia Descompressiva.

De acordo com o coordenador do projeto de tratamento Hematoma Subdural Agudo (HSDA) e também coordenador do Núcleo de Habilitação e Reabilitação em Esportes Paralímpicos (NHRESP), Cleudmar Amaral de Araújo, o projeto tem despertado, inclusive, interesse a nível internacional.

“A técnica utiliza princípios físicos conhecidos na engenharia, sendo aplicada de maneira simples, e possui como principal característica a retenção das estruturas cerebrais, tratando os traumas encefálicos, sem causar danos subsequentes. A consequência é o retorno do paciente às suas atividades em menor tempo e a redução dos custos do tratamento. Pela simplicidade, a técnica já vem sendo utilizada por alguns profissionais da área médica. O objetivo é divulgar este procedimento para a comunidade médica nacional e internacional”, diz.

Uma das principais características da técnica é a preservação da integridade das estruturas e à proteção do cérebro. As principais vantagens são: 1) cirurgia mais simples e em menor tempo (40 minutos), já que a cirurgia convencional dura em média três horas; 2) redução dos custos da cirurgia, considerando-se que, na cirurgia convencional, o paciente precisa ficar cerca de 30 dias em UTI e, com esta técnica, o paciente necessita, na maioria dos casos, de no máximo 2 dois dias na unidade de terapia intensiva; 3) recuperação mais rápida do paciente, uma vez que a caixa craniana não precisa ficar exposta, pois o inchaço cerebral é retido e pode-se fixar a parte óssea no final da cirurgia. Já na cirurgia convencional, é demandado maior tempo para a regularização do cérebro e a diminuição do inchaço.

Pesquisa Fapemig

Os interessados em receber apoio para algum projeto de pesquisa devem ficar atentos às chamadas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais. Para cumprir seus objetivos, a Fapemig institui diferentes modalidades de apoio, de caráter permanente.

As solicitações a essas modalidades são recebidas seguindo datas fixadas em calendário específico e, outras, apresentadas a qualquer época, no caso de modalidades de fluxo contínuo. Em todos os casos as inscrições devem ser acompanhadas da documentação completa exigida em cada modalidade e dar entrada mediante registro de protocolo na FAPEMIG, eletronicamente via Everest ou em papel, obedecidas as antecedências mínimas definidas para cada modalidade.

Informações sobre chamadas abertas você encontra no Portal da FAPEMIG. Os processos de seleção dos projetos obedecem a critérios que podem ser verificados aqui. Em 2015, estavam em execução 3.305 mil projetos de pesquisa, representando o valor de R$ 853.445.088 milhões de recursos destinados. A Fundação concedeu 7.043 mil bolsas e apoiou 6.989 participações em eventos na área de CT&I.

 

Priscila Piotto