Navegação robótica inteligente é desenvolvida por pesquisadores do CEFET

Compartilhe

 Foto: Divulgação CEFET

Criar sistemas inteligentes e que apresentem um grau razoável de autonomia é uma tarefa desafiadora na área de robótica. Diferentes abordagens têm surgido na área de inteligência artificial na tentativa de explicar o processo cognitivo. No Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet– MG), pesquisadores desenvolvem, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), o projeto Navegação robótica baseada em uma rede de neurônios pulsantes.

Os pesquisadores estão desenvolvendo mecanismos de software e hardware que possua um grau razoável de autonomia, sendo capaz de operar sob diversas condições sem recorrer a um controlador externo e de lidar com eventos imprevistos em um ambiente hostil em busca dos seus objetivos. O coordenador da proposta, Rogério Martins Gomes, explica que os neurônios pulsantes são modelos matemáticos de neurônios neurobiologicamente realistas e computacionalmente viáveis.

Para desenvolver a navegação robótica inteligente é preciso modelar e implementar os microcircuitos neuronais, que são grupos de 50 a 10.000 células neurais especializados em uma determinada função sensório-efetora primitiva. Em seguida é necessário determinar o robô que será utilizado, levando em conta a arquitetura de hardware, calibração de sensores e operabilidade em ambiente real. Por último, a fase de implementação e validação, através da realização de experimentos.

Uma das teorias que tem inspirado diversos trabalhos na área é a teoria da seleção de grupos neuronais proposta por Gerald Maurice Edelman. No projeto desenvolvido no Cefet, ela é utilizada para fundamentar o desenvolvimento e a análise da dinâmica de microcircuitos de neurônios pulsantes operando como um mecanismo de coordenação sensório-motora de robôs. Com isso, os pesquisadores construíram modelos computacionais dos microcircuitos ou estruturas de neurônios pulsantes interligados. “Espera-se, ao final desse projeto, que o robô seja capaz de navegar de forma autônoma e apresentar um mínimo grau de adaptabilidade a novos ambientes”, diz Rogério.

Desta maneira, a pesquisa busca contribuir para a disseminação, desenvolvimento e consolidação da pesquisa na área de organismos artificiais biologicamente inspirados e dotados de sistemas nervosos, com ênfase na construção de robôs mais robustos e adaptáveis ao ambiente real. “No campo da engenharia, os resultados deste projeto contribuem diretamente para o desenvolvimento de mecanismos de controle robótico. Já no campo científico, espera-se que esse projeto contribua para as teorias da neurociência que buscam compreender a dinâmica neural em seres vivos”, acrescenta Rogério.

 

Roberta Nunes