Prêmio Talentos de 2017 pode ser ampliado em escala global

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 O Instituto Fórum do Futuro vai propor ao Banco Mundial (Bird) a ampliação do Prêmio Novos Talentos para o Alimento Sustentável-Américas para uma escala mundial. O objetivo é estimular os jovens pesquisadores a trabalhar em soluções de produção sustentáveis de alimento também nas savanas africanas e nas estepes asiáticas, que são similares à realidade do cerrado brasileiro.

O Banco Mundial convidou o Fórum do Futuro para realizar, em novembro, a entrega do Prêmio Novos Talentos, na sede da instituição, em Washington, quando a proposta de ampliação do prêmio para 2017 será melhor discutida. O Prêmio Novos Talentos é uma oportunidade de diálogo entre a ciência e a sociedade, na medida em que aproxima da agricultura sustentável jovens universitários que desenvolvem pesquisas nas áreas de tecnologia.

O coordenador do Conselho Científico do Instituto Fórum do Futuro e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG), Evaldo Vilela, foi o articulador da proposta de ampliação do Prêmio junto ao Bird. Vilela entende que “a construção do futuro do país depende da criatividade dos jovens, mas é necessário mudar atitudes e mentalidades de nossa sociedade para que possam contribuir de fato, em velocidade e quantidade”, ressaltou o conselheiro do Fórum.

A seguir, entrevista com Evaldo Vilela.

Se a cadeia de valor do alimento está no coração da visão de futuro do país, como alinhar a visão estratégica com o potencial criativo dos jovens?

 Evaldo Vilela: Acredito muito que o aprendizado pelos jovens talentos sobre a cadeia de valor do alimento, e seu consequente engajamento no enfrentamento dos desafios, pode se dar de modo efetivo em ambientes de inovação criados com esta finalidade. Ambientes de inovação são estruturas físicas (infraestruturas com salas, ou galpões, ou laboratórios, ou uma fábrica, etc.) e virtuais (um site etc.) desprovidas de preconceitos e hierarquias, onde o aprendizado, a criatividade e o compromisso com o novo são os determinantes e as motivações centrais. Não adianta querer construir o futuro, valendo-se da criatividade dos jovens, que é fundamental, sem mudar atitudes e estruturas, que são intrínsecas aos ambientes. Estruturas, mentalidades, modos operantes antigos não servem mais, senão como referências e casos de estudo.

Quais são os principais entraves que precisam ser removidos?

 Evaldo Vilela: A acomodação, a zona de conforto, a cultura que não valoriza o conhecimento, a falta de um projeto de construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, são duros entraves que devem ser combatidos e removidos da vida do país. Para isto, não pode nos faltar a determinação de construir o coletivo, de valorizar os interesses do país acima dos interesses pessoais. Não nos faltam talentos e criatividade e nem oportunidades; não nos faltam cientistas e nem empreendedores. Falta-nos, no entanto, um projeto de país, onde a economia se junta à ciência, à inovação pelo desenvolvimento, pela geração de renda e empregos.

Como a visibilidade internacional do prêmio pode contribuir nesse sentido?

Evaldo Vilela: Um prêmio, ainda mais um prêmio internacional, é sempre uma luz sobre algo que se destacou; evidencia, no caso, uma inovação na produção sustentável do alimento como fruto da criatividade, esforço e sonho de jovens talentos. Como iluminar projetos, trabalhos e mentes que podem criar uma agricultura e uma pecuária cada vez mais produtivas, mais sustentáveis, de maior valor agregado e inclusivas? A competição e a premiação, com base em critérios de mérito, é uma resposta positiva, que inspira um caminho exitoso capaz de abreviar esforços e ganhar a urgência que o desenvolvimento requer.

Carmen Cunha/ Ascom Fórum do Futuro