O teto de vidro na carreira gerencial para as mulheres

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Quais são as dificuldades das mulheres assumirem cargos gerenciais? A média geral de cargos de alto escalão ocupados por mulheres no Brasil é de 19%, índice abaixo da média global, de 24%, de acordo com a pesquisa International Business Report (IBR) - Women in Business, realizada em 36 países pela Grant Thornton. Para compreender melhor o cenário, a professora de Administração, Marlene Catarina de Oliveira Lopes Melo, Coordenadora do Núcleo de Relações de Trabalho e Tecnologias de Gestão – NURTEG, da Faculdade Novos Horizontes, desenvolveu, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), o projeto Mulheres de sucesso em setores predominantemente masculinos de Belo Horizonte: além do teto de vidro na carreira gerencial.

Segundo a pesquisadora, as carreiras que têm um prolongamento do trabalho doméstico são mais abertas ao público feminino. Nas profissões que fogem a esse modelo, há uma necessidade de romper o teto de vidro para alcançar os cargos gerenciais. “O teto de vidro é um termo americano que remete a obstáculos invisíveis encontrados pelas mulheres nas organizações, que aparentemente parecem não existir, sendo até possível enxergar uma possibilidade de ascensão, mas na realidade essa possibilidade não existe ou é limitada”, afirma Marlene.

Sendo assim, utilizou-se um modelo de análise do processo de empoderamento de mulheres nas organizações considerando relatos de história de vida de 22 mulheres, que desempenham a gerência na alta administração em setores de informática, telecomunicação, engenharia, militar, medicina, empreendedorismo e justiça. Pôde-se, assim, traçar um perfil das mulheres que conquistaram o empoderamento nas organizações pesquisadas.

As mulheres entrevistadas possuem mais de 36 anos, sendo que 37% delas estão acima de 50 anos. A maioria está há mais de 10 anos na organização, sendo que 50% possuem mais de 10 anos no cargo de gerência. Observou-se também que 64% das mulheres entrevistadas não percebem limitações e problemas no ambiente de trabalho por serem mulheres, mas para 36% ainda existem essas limitações, principalmente relacionadas à cultura patriarcal e machista, informa a pesquisa.

Em relação às dificuldades para quebrar o teto de vidro nas organizações, as entrevistadas elencaram algumas questões: ter que provar competência e capacidade por ser mulher (23%), enfrentar o machismo (18%), vencer a resistência das pessoas de serem comandadas por uma mulher (9%), vivenciar a maternidade (9%), entre outras. A pesquisadora comenta que “Elas ainda são vistas como sexo frágil. Há um preconceito de que a mulher não tem perfil para ser chefe e não sabe conviver com pressões, mas o perfil gerencial não tem que ser de homem, nem de mulher, mas do cargo”, acrescenta a pesquisadora.

 

Roberta Nunes