O lugar da Inovação na SBPC

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Mei

Pelo segundo ano consecutivo, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) traz a inovação para o debate em suas reuniões anuais, por meio da SBPC Inovação. O objetivo é oferecer ao público conferências e mesas-redondas referentes a projetos e realizações em Ciência, Tecnologia e Inovação de empresas, universidades, instituições de pesquisa e fomento e secretarias de governo, apresentando a interface entre a academia e o empresariado, empresas e laboratórios.

O termo “inovação”, usado muitas vezes sem critério, pode estar meio desgastado, mas há consenso entre empresários e cientistas quando dizem que o crescimento do país está condicionado à inovação. O assunto foi tratado na conferência A pesquisa na Indústria Brasileira, proferida por Gianna Sagazio, diretora de inovação da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A temática foi abordada a partir da percepção do setor empresarial sobre o assunto e apresentou diversos dados que demonstram aquilo que empresas e a academia já haviam percebido: o Brasil investe muito pouco em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D). “Somente em 2015, houve redução de 8% na demanda da indústria por profissionais de P&D. Esse é apenas um dado preocupante, a crise nos afetou em diversas outras dimensões”, afirma Sagazio.

A diretora apresentou os caminhos que o CNI tem buscado para ajudar a mudar esse cenário. Um deles é o projeto MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação), que é um movimento de lideranças empresariais que estão engajadas em prol do fortalecimento da inovação e competitividade no Brasil e busca ampliar a efetividade das políticas de inovação no país. Além dos encontros com essas lideranças, também são produzidos estudos de caso e diversos conteúdos que podem auxiliar empresas a trilhar o caminho da inovação.

O MEI trabalha com base em seis agendas: Marco Regulatório e Propriedade Intelectual, Governança, Financiamento, Recursos Humanos, Inserção Global via Inovação e Pequenas e Médias Empresas Inovadoras. Sagazio conta que, recentemente, a Capes procurou o programa para levantar quais cursos de pós-graduação são mais usados pelos empresários. “A ideia é fazer um trabalho de aproximação entre universidade e empresas, de forma que todos se beneficiem”, conta.

Hoje (05), também foi lançado, durante a SBPC, um estudo feito pelo Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE) que mostra que o número de programas de mestrado e doutorado triplicou no País. O levantamento aponta que, de 1996 a 2014, houve um crescimento nos cursos de 205% e 210%, respectivamente. Apesar de os números serem positivos e de a produção de mão-de-obra qualificada ser crescente, essa realidade ainda não reflete na geração de inovação. Para a coordenadora do estudo, Sofia Daher, “o crescimento dessa mão-de-obra qualificada tem sido contínuo e consistente ao longo de quase duas décadas, o que reflete uma política de Estado bem-sucedida. No entanto, ainda temos um caminho longo para trilhar”, acredita.