Conselheiros pedem, e Helena Nader continua presidente da SBPC

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Foto: Diogo Brito

Em nota, conselho da entidade diz que “manifestações de caráter violento que visam desqualificar pessoas, e não debater ideias, são incompatíveis com a missão da SBPC e o estado democrático de direito”.

Em caráter extraordinário, o conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), reuniu-se na manhã desta quinta-feira e repudiou as agressões verbais sofridas pela presidente Helena Nader durante o ato #FicaMCTI, que ocorreu ontem, na 68º Reunião Anual da SBPC, este ano em Porto Seguro, Bahia. Durante a manifestação contra a fusão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com o de Comunicações, e pela recomposição do orçamento para a área de CT&I, pessoas contrárias ao governo interino cobraram posicionamento institucional da SBPC pela bandeira #ForaTemer e proferiram palavras agressivas à presidente da SBPC. Após ser chamada de “pelega”, Helena Nader colocou o cargo à disposição.

O pedido de renúncia ao cargo foi negado de maneira unânime e veemente pelo Conselho, que ainda promoveu um ato de desagravo, com salva de palmas pela atuação da presidenta à frente da entidade. Em nota, que será lida na Assembleia Geral Ordinária dos Sócios da SBPC, os conselheiros destacaram que a gestão de Nader à frente da SBPC tem sido “marcada por uma luta cotidiana pela preservação da área de CT&I”. À Rádio UFMG Educativa, o conselheiro Eduardo Mortimer, da Faculdade de Educação, explicou o posicionamento do Conselho. Ouça.

Entenda o caso

Helena Nader comandava ontem um ato #FicaMCTI pela preservação da pasta ministerial exclusiva e preservação do orçamento para ciência, tecnologia e inovação. Um forte coro #ForaTemer foi ouvido e a presidenta foi duramente interpelada pelo conselheiro Antônio Carlos Pavão, coordenador do Espaço Ciência da Universidade Federal de Pernambuco. Nader defende-se, dizendo que “a SBPC é uma entidade sem cor política partidária e nossa sociedade não está unânime em posições. Cada um de nós tem a sua convicção tem sua convicção bem clara. Quero deixar claro porque a SBPC não está participando do segundo slogan (Fora Temer). Indivíduos podem. A sociedade não”.

Nesse momento, ouvem-se gritos de “pelega” e “chapa branca” na plateia, o que levou Helena Nader retomar o microfone para anunciar que estava colocando o cargo à disposição. Segundo a assessoria de imprensa da SBPC, a presidenta vai se manifestar sobre o assunto apenas amanhã, mas ao jornal O Estado de S. Paulo Nader disse que ser ofendida desta maneira foi praticamente tocante para ela, que na juventude se posicionou contra a ditadura: “Eu não fui presa; o que é um buraco na minha formação. Mas eu lutei pela democracia; estive presente em todas as reuniões. Eu tive amigos que foram presos e torturados; tive professores que foram violentamente torturados. A palavra ‘pelega’ para mim é muito forte, muito forte mesmo. E ela foi usada conscientemente, de propósito.”

Ainda a O Estado de S.Paulo Helena Nader disse que não será fácil continuar à frente da SBPC, mas que o fará com sacrifício, disposta a que SBPC mantenha diálogo aberto com todos os governantes. “O governo agora é interino, mas os problemas são permanentes. Ou a gente enfrenta eles agora, ou vai parar a ciência, vai parar a educação, vai parar tudo.”

Roberta Nunes (Fapemig) - Pela Agência RMCC