Plataforma R³ Mineral discute ações para destinação de rejeitos da mineração

Compartilhe



A mineração é uma atividade tradicional em Minas e, ao longo de sua história, foi responsável por atrair empresas de diversos segmentos da cadeia, movimentando fortemente a economia do estado. Mas, os resíduos e rejeitos gerados pela indústria mineral representam hoje um dos maiores entraves ao seu desenvolvimento sustentável. Os impactos decorrentes do rompimento da barragem de minérios da Samarco, em Mariana, MG, por exemplo, trouxeram à tona a urgência da revisão de processos relacionados à atividade.

Pensando em buscar soluções alternativas que garantam mais segurança e maior preservação do meio ambiente, a Fapemig (Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais), em parceria com INDI (Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais) e o Sinaenco-MG (Sindicato da Arquitetura e da Engenharia de Minas Gerais), dentre outras instituições mineiras, lançam na próxima quarta-feira, 14 de setembro, durante o II Fórum Minas e Mineração no Século XXI, a Plataforma R3 Mineral.

Trata-se de uma linha de ação do projeto Nova Mineração, criado pela Fapemig em parceria com o INDI, para discutir a mineração sob a ótica de pesquisa, desenvolvimento e inovação. A iniciativa parte do entendimento de que o desastre de Mariana abre oportunidades de criar novos paradigmas para as atividades de mineração em Minas Gerais e no Brasil. O grupo de discussão foi formado em maio deste ano, sob coordenação técnico-científica do pesquisador Fernando Lameiras, do CDTN (Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear). O foco está na utilização dos rejeitos em larga escala e em diferentes atividades com bom potencial de aplicação, como a agricultura, a pavimentação e a construção civil.

A Plataforma é formada por pesquisadores, entidades de classe, mineradoras e empresas com potencial para reutilizar esses rejeitos. Para gerar ações mais efetivas e direcionadas, os integrantes se dividiram em cinco comissões distintas: Governança, Agricultura, Pavimentação, Tecnologia e Construção Civil. De acordo com o assessor da diretoria de Ciência, Tecnologia e Inovação da FAPEMIG e assessor especial do Projeto Nova Mineração, Renato Ciminelli, a proposta é que a Plataforma R3 Mineral não seja apenas um fórum de debates, mas também um núcleo para induzir, facilitar e estruturar projetos e ações concretas.

“Pela primeira vez, fala-se em utilização de rejeitos em larga escala e esse cenário está finalmente se desenhando graças ao envolvimento e comprometimento de atores-chave, como o meio científico e entidades de classe, como o Sinaenco-MG (Sindicato da Arquitetura e Engenharia). Grandes mineradoras já aderiram ao movimento, como a Vale, a Ferrus, a Ferromais, a Gerdau e a Votorantin e a tendência é que outras também venham fazer parte das discussões”, afirma Ciminelli.

Para Lucas Ribeiro Horta, presidente do Sinaenco-MG, é muito importante que as instituições ligadas à mineração discutam e repensem suas práticas, parâmetros e tecnologias utilizadas na atividade. “Vemos hoje um esforço das empresas que atuam no planejamento de obras, desde perspectivas distintas e complementares e que podem efetivamente contribuir para a construção de uma nova mineração, mais sustentável e socialmente responsável”, afirma o presidente do sindicato, que hoje conta com uma diretoria exclusiva para tratar da Sustentabilidade. “Esta diretoria reforça nosso desejo em nortear e apoiar as associadas no que diz respeito à implantação de ações sustentáveis. A construção de um estado para todos é um projeto a longo prazo, mas se planejarmos, faremos o país crescer, ao mesmo passo que solucionamos os desafios ambientais”, destaca.

Risco iminente

Uma reportagem do The Wall Street Journal, publicada em abril deste ano, dá conta de que o rompimento da barragem de Mariana não será a última dessa proporção no mundo. Barragens de rejeitos colossais elevam risco de acidentes como o de Mariana em todo o mundo.

“Do Chile até a Austrália e os Estados Unidos, a busca por economias de escala vem levando as mineradoras a cavar minas cada vez maiores e mais profundas, criando um volume recorde de resíduos. Para armazenar todo esse detrito, essas empresas construíram algumas das estruturas mais colossais que o homem já ergueu no planeta. Conhecidas como barragens de contenção de rejeitos, esses diques de terra retêm vastos reservatórios de lama, pequenas partículas de rocha, e água — ou seja, o que sobra depois que os metais são separados do minério.

Na teoria, as barragens de rejeitos deveriam durar para sempre. Na prática, elas falham com tanta frequência que os engenheiros do próprio setor estão soando o alarme. Um ano e três meses antes do acidente de Mariana, uma barragem de rejeitos de uma mina do Canadá, totalmente em conformidade com a regulação local, desabou e causou o maior acidente do tipo na história do país. Especialistas estimam que entre um e quatro rompimentos ocorram todo ano em barragens de rejeitos no mundo inteiro, uma frequência quase dez vezes maior que em barragens de água.”

Fonte: The Wall StreeT Journal

II Fórum Minas e Mineração no Século XXI

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG) e o Instituto de Desenvolvimento Integrado de Minas Gerais (INDI) realizam, na próxima quarta-feira, 14 de setembro, das 8h30 às 18h, no Auditório Francisco de Assis Magalhães Gomes do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN) - prédio 41, no campus Pampulha da UFMG, o II Fórum Minas e Mineração no Século XXI. O evento traz uma série de seminários e workshops que se propõem a alavancar transformações positivas no setor mineral.