3º Fala Ciência reúne reflexão e prática

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3 Fala CiênciaIldeu de Castro Moreira (UFRJ) e Evaldo Vilela (FAPEMIG) na abertura do 3º Fala Ciência (fotos: Diogo Brito)


A 3º edição do Fala Ciência, iniciativa organizada pela Rede Mineira de Comunicação Científica (RMCC), buscou reunir aspectos relacionados à reflexão e à prática da comunicação pública da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no país. Para isso, o encontro, que reuniu cerca de cem pessoas na sede da FAPEMIG, foi dividido em dois momentos: apresentações na parte da manhã e cinco workshops simultâneos à tarde, destinados a divulgadores da CT&I e a pesquisadores.

A conferência inicial foi proferida pelo pesquisador Ildeu de Castro Moreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que falou sobre o tema Avaliação, desafios e perspectivas para divulgação científica nacional. Ele comentou os resultados de pesquisas recentes sobre percepção pública da ciência, apresentou iniciativas de divulgação científica realizadas por grupos de todo o país e provocou a plateia com informações sobre o atual cenário da ciência no Brasil. “Temos um desafio enorme de melhorar a educação como um todo e a educação formal em ciência, ainda falhamos muito nesse ponto. Outros dois desafios são fazer com que a ciência tenha uma repercussão social relevante e praticar uma divulgação científica conectada com a cidadania, para que as pessoas participem do processo”, citou Ildeu Moreira.

Em um segundo momento, o pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Sérgio Cirino apresentou a proposta de política de periódicos para o Estado de Minas Gerais desenvolvida por seu grupo de pesquisa. Ele mostrou os dados coletados sobre os periódicos mineiros - um levantamento até então inédito - , os critérios de inclusão e os objetivos relacionados ao projeto. A ideia é que em 2017 todos os periódicos científicos do Estado estejam mapeados e acessíveis em portal único.

Workshops
A proposta da terceira edição do Fala Ciência, como ressalta Vivian Teixeira, membro da RMCC e uma das organizadoras, era "colocar a mão na massa". Por isso, à tarde, os inscritos puderam participar de workshops com temas diferentes: tecnologia 5G, gamificação, como transformar ciência em brincadeira, a divulgação da ciência em perspectiva transmídia e métodos digitais de pesquisa.

Prof. EvandroOficina "Como transformar ciência em brincadeira", comandada pelo professor Evandro Passos, da Universidade Federal de Viçosa


Thayse Menezes, licenciada em Física e graduanda em Comunicação Social, participou do workshop que buscava mostrar o lado lúdico da ciência. Como ela ressalta, tanto Evandro Passos, responsável pelo workshop sobre "como transformar ciência em brincadeira", como Ildeu Moreira, destacaram a importância de levar a ciência para onde o povo está. Ela cita a fala de Moreira, que apesar das circunstâncias, é preciso comunicar, conectar as pessoas com à divulgação científica e fazer todos terem acesso ao conteúdo. No workshop, Thayse conheceu experimentos que despertam a curiosidade de pessoas de qualquer idade, muitas vezes confeccionados com poucos materiais e com baixo custo. “Foram apresentados cinco experimentos que tinham muito de Ciência, mas que eram simples, acessíveis e de baixo custo”, conta a estudante.

 

Oficina "Gamificação", ministrada por Ronado Gazel


O workshop sobre gamificação apresentou o jogo como um vetor para solução de problemas, fora do contexto do entretenimento. “Qualquer atividade humana pode se beneficiar da gamificação – ou ludificação – como metodologia. A ludificação ajuda as pessoas a se localizarem melhor nas jornadas, identificando suas etapas e os desafios colocados por cada fase, sendo largamente utilizada na Administração e na construção de comportamentos de consumo”, explicou o facilitador Ronaldo Gazel. Para o relações públicas Lucas Costa, o curso foi muito interessante pois mostrou que a gamificação não envolve apenas recursos do meio digital, mas também jogos de tabuleiro e cartas. "Além disso, aprendi que a gamificação pode ser usada dentro da empresa, para reforçar processos e rotinas de forma mais interessante", diz.

Carlos d'Andréa foi o responsável pelo workshop "Introdução aos Métodos Digitais de Pesquisa e o STS"


Um mergulho nas discussões sobre métodos de pesquisa e os estudos de ciências e tecnologia. Assim, foi o workshop "Introdução aos Métodos Digitais de Pesquisa e sua ligação com o campo STS (Science and Technologies Studies)", oferecido pelo pesquisador Carlos d'Andréa, do Núcleo de Pesquisa em Conexões Intermidiáticas, da UFMG. Durante a atividade, o pesquisador também abordou a extração e visualização de dados, apresentando um estudo de caso. Após fazer a ponte entre teoria e prática, os participantes fizeram uma atividade coletiva nas redes de páginas de divulgação científica no Facebook. Marina Aro, do Inatel, participou do curso.  "Isso vai contribuir muito para meu crescimento profissional, pois pude conhecer ferramentas que poderão ser utilizadas em análises e estudos sobre comportamento nos meios digitais", disse.

 

 "A divulgação científica em perspectiva transmídia" foi o tema do workshop ministrado por Tacyana Arce, da UFMG


A pesquisadora Tacyana Arce levou o conceito de transmídia para as narrativas científicas e abordou os diferentes caminhos que se pode percorrer para chegar a um produto comunicacional. A pesquisadora defendeu que o jornalismo transmídia não deve somente apresentar linguagens diferentes em diversos tipos de veículos, mas levar o interlocutor à ação.


Leonardo Maia, do Inatel, ministrou o workshop "Pesquisas de soluções para a camada física de redes 5G"


Por fim, o  workshop Pesquisa de soluções para a camada física de redes 5G apresentou as tendências na área de comunicação e telecomunicações, mostrando ao público que a sociedade estará cada vez mais conectada. Para o facilitador do curso, Leonardo Luciano de Almeida Maia, do Inatel, a internet das coisas ou Internet of Things (IoT) mostra que, desde um eletrodoméstico até um tênis que se usa durante uma caminhada, qualquer dispositivo estará pronto para guardar e transmitir dados. Apesar de a velocidade 4G ainda não ter chegado a vários lugares do país, conhecer as pesquisas que estão sendo feitas sobre 5G pode representar um diferencial competitivo para empresas e governos. O estudante Mateus Henrique, que participou da atividade, gostou especialmente da abordagem sobre a evolução do 5G. "Muito bacana essa perspectiva de conexão, de pensar que, no futuro, tudo estará conectado em rede".

 

Confira as apresentações dos palestrantes:

Carlos D’Andrea:

Apresentação

Links citados: Matéria conspiração amarga e Revista eletrônicas

 

Leonardo Luciano de Almeida Maia

Redes de Comunicações Móveis de 5ª Geração – Cenários, Requisitos, Aplicações e Tendências Tecnológicas