Estudo inédito em Minas Gerais constroi o primeiro banco de dados de percepção pública de Itajubá

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É possível mensurar o desempenho de governos, a qualidade dos serviços públicos e as percepções da população nos mais diferentes aspectos? Pesquisadores da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG), aplicaram indicadores que tornam isso realidade. Os resultados da pesquisa integram, pela primeira vez no município de Itajubá, uma base de dados de indicadores de bem-estar e podem apoiar o planejamento da cidade.

O levantamento, realizado de julho a novembro de 2016, contribui em diferentes aspectos. Segundo o Relatório Parcial, um deles é o banco de dados construído sob a ótica dos moradores, permitindo revelar as potencialidades e fragilidades envolvendo 26 temas, tais como: saúde, educação, segurança, acessibilidade e meio ambiente. Além disso, coopera para estabelecer um conjunto de métricas que permitem comparar, avaliar, analisar e aprender a partir dos resultados obtidos, e ao longo do tempo e espaços do município.

No Brasil, a Rede Nossa São Paulo é referência ao ter construído um conjunto de indicadores da capital paulista. Em 2009, eles lançaram o Projeto Indicadores de Referência de Bem-Estar do Município (IRBEM). A partir da experiência de sucesso, o Núcleo de Pesquisa de Dinâmicas Empreendedores (NPDE), da Unifei, trouxe o Projeto para Itajubá, utilizando os mesmos princípios. Em Minas Gerais, a pesquisa inédita contou com a participação de 380 pessoas, distribuídas em 57 bairros. Os participantes atribuíram a percepção a cada uma das áreas, utilizando uma escala de 1 a 10.

Resultados

Das 26 questões aplicadas, os valores se mantiveram entre 4,5 e 6. Na seção de educação, o maior indicador é o de “acesso ao ensino superior de qualidade”, com 6,10. Na seção de meio ambiente, o item sobre “consciência e responsabilidade ambiental” teve 7,31. Com indicadores negativos, destaca-se, na seção de Saúde, o “tempo médio entre a marcação e a realização de procedimentos mais complexos (cirurgias e exames especializados)”, com 3,49.

Na seção de Acessibilidade o item que se refere a locomoção nas calçadas é igual a 4,40. Por outro lado, o indicador “inclusão de deficientes na rede escolar” obteve a maior média da seção com 5,33. Já na seção de Cultura, pode-se identificar que o maior indicador é o de “manifestações artístico-culturais nas escolas”, com média igual a 5,47, mas a “frequência com que visita museus e exposições”, tem 2,81.

O pesquisador Paulo Henrique dos Santos, aponta que “os resultados públicos e foram disponibilizados e encaminhados à Câmara Municipal, Prefeitura, Associações Comerciais, Sindicado, mas também estão disponíveis no site da UNIFEI e é de livre acesso”, explica.

Etapas da pesquisa

A metodologia consistiu em sete etapas. Na primeira, foi realizada a coleta de dados, a partir de consulta pública. A segunda etapa foi a tabulação de dados. Na terceira, foi produzido o relatório parcial. Na seguinte, foi realizado o 1º Workshop IRBEM Itajubá 2016 para refletir sobre os resultados da pesquisa diagnóstica. A quinta etapa será a realização do 2º Workshop com os objetivos de reunir, através de participação popular no evento, propostas de soluções e ações para as áreas consideradas prioritárias. A sexta etapa será a formulação do plano de metas e ações para os próximos quatro anos (2017–2020). Por fim, a última diz respeito ao acompanhamento e avaliação da execução do plano de metas e ações.

 

Confira o relatório completo aqui.

Mais informações em npdeunifei@gmail.com ou (35) 3629-1440.