Pesquisadores desenvolvem escala para identificar pensamentos automáticos em adolescentes

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Muitas vezes, diante de algumas situações, somos surpreendidos por pensamentos que aparecem em nossa cabeça de uma hora para outra. Pesquisadores mineiros estão pesquisando alguns padrões dessas crenças e observando as que não funcionam como o esperado em adolescentes e adultos. O objetivo é identificar esses pensamentos automáticos, observar sintomas depressivos e poder intervir e dar suporte aos pacientes.Foto: Divuçação. Parte da Equipe do Projeto

Tudo isso faz parte do projeto avaliação psicológica de pensamentos automáticos, cognições e sintomas depressivos em adolescentes e adultos, coordenado pelo pesquisador Maycoln Leôni Martins Teodoro, da área de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG).

“O pensamento automático nada mais é que as ideias que surgem espontaneamente sem controle. Você está divagando e de repente começa a pensar em algo ruim, e junto com esse pensamento vem emoções como a tristeza e raiva”, explica Maycoln. Cada tipo de doença mental está ligada à um conjunto de crenças que produzem o pensamento automático. No caso da depressão são pensamentos negativos sobre si mesmo: “sou menos inteligente”; os outros: “ninguém gosta de mim”; e o porvir: “meu futuro vai ser terrível”.

 

Escala

De que forma medir tais pensamentos? Os pesquisadores precisavam usar uma escala psicométrica, ou seja, testes de avaliação psicológica para que a partir das frequências seja possível inferir o padrão de crenças e fazer uma predição da depressão. No entanto, no Brasil ainda não existia um instrumento para avaliar os pensamentos automáticos em adolescentes. Por isso, os pesquisadores fizeram um estudo quantitativo com 150 brasileiro sobre o que eles pensavam sobre eles, os outros e o futuro. Assim, conseguiram exemplos de ideias que surgem de acordo com o contexto do país.


O próximo passo foi a análise e a escolha de 30 itens. Com isso, desenvolveram o Ipanpa – uma escala de pensamentos automáticos positivos e negativos para adolescentes que é resultado da pesquisa de Mariana Verdolin. O Ipanpa tem sido usado de duas formas: nas pesquisas e na psicologia clínica - usado para triagem, verificando a frequência alta dos pensamentos negativos e os indicativos de psicopatologia.

Depressão em adultos com diabetes

Qual será a relação da diabete com depressão? O segundo projeto de pesquisa faz parte do doutorado de Mariana Verdolin que buscou responder essa pergunta ao identificar uma incidência a partir do atendimento à comunidade no Hospital das Clínicas em Belo Horizonte. “O curioso é que a gente tende a pensar que a pessoa se deprime por ser diabética, mas também pode ser ao contrário. Uma hipótese para isso é que com a depressão a pessoa diminui a atividade física, come mal e dependendo da genética pode favorecer a doença”, diz.

Com financiamento do Ministério da Educação, os pesquisadores montaram um ambulatório no Hospital das Clínicas para atender os pacientes. De acordo com dados do trabalho de Priscila Ohno, os 43 diabéticos atendidos até dezembro de 2016 foram divididos em dois grupos, sendo 30 identificados como provavelmente deprimidos. Nesses casos foi percebido pior qualidade de vida, mais pensamentos negativos sobre si mesmo, tratamento menos eficaz e menos produtividade.“A gente está avaliando que os pacientes deprimidos aproveitam menos o tratamento à diabetes pela visão que ele tem sobre ele mesmo”, complementa Maycoln.

 

 

Roberta Nunes