Pesquisadores da UFVJM desenvolvem embalagens sustentáveis

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Há décadas as embalagens plásticas são vilãs conhecidas do meio ambiente. Fabricadas com polímeros convencionais, a partir de resina derivada do petróleo e metais pesados, elas são prejudiciais ao lençol freático e demoram de 100 a 500 anos para se decompor, agredindo a natureza e a biodiversidade. Um dos grandes desafios científicos é reduzir o volume desses materiais e elaborar novas metodologias e processos de fabricação que sejam mais sustentáveis. Diante disso, o projeto desenvolvimento de embalagens sustentáveis a partir de resíduos agroindustriais, coordenado pela Engenheira de Alimentos, Franciele Maria Pelissari, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), tem buscado novas estratégias.

Os pesquisadores buscam selecionar produtos agroindustriais provenientes de recursos abundantes e renováveis do bioma brasileiro. Com isso, pretende-se produzir embalagens sustentáveis, visando à agregação de valor aos resíduos e a minimização do impacto ambiental causado pelo acúmulo destes no ambiente. “Esse desenvolvimento e implementação de processos sustentáveis é imprescindível para otimizar a eficiência do agronegócio, além de reduzir o impacto ambiental”, acredita Pelissari. Ainda em fase inicial, os resultados do projeto foram promissores ao usar o bagaço de cana-de-açúcar, a palha de milho e o bagaço da laranja. O próximo passo será avaliar o potencial do bagaço do malte, subproduto da indústria cervejeira, na produção dessas embalagens sustentáveis.

 




Apesar do grande desafio científico e industrial nesta área, os estudos têm demonstrado avanços tecnológicos significativos. A conciliação dos conhecimentos adquiridos pela pesquisa pode consolidar um projeto que contribuirá para a elucidação do potencial de resíduos agroindustriais. De acordo com a pesquisadora Pelissari, recentemente, vários estudos têm demonstrado que produtos secundários do agronegócio, tais como resíduos e subprodutos, podem ser usados como matéria-prima para extração e inter-conversão em outros produtos de maior valor agregado. Nesse sentido, o conceito de coproduto tem ganhado força, uma vez que estes produtos podem ser tão importantes industrial e comercialmente, como o produto principal objetivado no processamento. Sendo assim, o alvo da pesquisa é selecionar coprodutos agroindustriais provenientes de recursos abundantes e renováveis do bioma brasileiro para a produção das embalagens sustentáveis, visando à agregação de valor a tais resíduos e a minimização do impacto ambiental causado pelo acúmulo destes no ambiente.

 

 

Reconhecimento

Durante os processos, o grupo de pesquisa do Laboratório de Materiais Verdes (Green Materials) já foi contemplado, em 2015, com o prêmio de Feira de Ciências e Inovações Tecnológicas (FEICINTEC), realizado pelo CREA–MG. O projeto intitulado desenvolvimento de coberturas e filmes biodegradáveis a partir de fontes naturais do cerrado brasileiro, abordando a elaboração de embalagens a partir de biopolímeros provenientes do Cerrado brasileiro, conquistou o 2º lugar entre 140 projetos inscritos na 3ª edição da Feira. “A relevância deste prêmio começa pela sua importância para as alunas de Iniciação Científica que tiveram a oportunidade de participar do desenvolvimento do projeto e serem reconhecidas. Além disso, é muito importante para a carreira docente, gerando motivação para continuar na pesquisa, que sempre tem diversos desafios, fazendo com que nosso trabalho e esforço sejam valorizados”, conclui Franciele.

 

 

Roberta Nunes