Reforma do Ensino médio: soma, divide ou multiplica?

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Rodrigo Patrício

“Estamos diante de um risco de precarização da educação”, enfatiza a pesquisadora do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), Carla Simone. “Temos que dar instrumentos para que os professores e estudantes entendam o que há por trás das propagandas e falácias sobre a reforma do Ensino Médio, implementadas via medida provisória e apresentadas pelo Governo Federal em 22 de setembro de 2016”, complementa Orlando Gomes, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Assim foi o início do painel que aconteceu ontem, dia 16 de maio, no restaurante Filé Espeto & Cia, localizado na Avenida Fleming, durante o Pint of Science. O encontro reuniu dezenas de pessoas para falar sobre a reforma do Ensino Médio: suas implicações, riscos e benefícios.

Afinal, as mudanças podem começar a ser implementadas a partir de 2018 e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) encontra-se em discussão no Ministério da Educação (MEC). A BNCC ainda terá que ser aprovada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) e a expectativa é de que ela seja definida até o fim de 2017. Para a estudante de Geografia da UFMG, Luiza Magalhães, é preciso haver essa discussão sim, mas é necessário sair da teoria e ir para a prática. “É importante uma reformulação dos próprios professores e a ação dos mesmos junto aos sindicatos para propor a nossa reforma. O Ensino Médio realmente precisa de uma reformulação e para que isso aconteça é preciso agir, ter voz ativa e parar de ficar só reclamando”, pontua a estudante.

O painel revelou o anseio de muitos e a necessidade de ampliar a discussão para outros espaços públicos, explicitando a relevância de iniciativas como esta para a popularização da CT&I no Estado. “A iniciativa foi interessante para expandir a discussão, mas a reforma é da escola pública e é preciso pensar até que ponto estamos chegando a quem realmente interessa”, questiona o estudante da UFMG, José Carlos Fortunato. As discussões renderam debates e reflexões sobre os impactos do conjunto de medidas que está surgindo e que, de acordo com os pesquisadores, apontam para um retrocesso. “No caso da educação, quando se precariza a formação do cidadão, você dificulta as possibilidades que ele terá no futuro e isso vem junto com uma reforma trabalhista e previdenciária. Acredito que isso é retrocesso e é preciso resistir”, pontua Carla.

Ao final das apresentações e debates, o público interagiu com os cientistas.