Mulheres enfrentam desafios no ecossistema de inovação

Téo Scalioni - 08-03-2021
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Nesta segunda-feira, dia 8 de março, é comemorado o Dia Internacional da Mulher. Apesar de várias conquistas sociais, observa-se que ainda são grandes os desafios para a igualdade entre mulheres e homens, principalmente no mercado de trabalho. Também no ecossistema de inovação, empreendedoras ainda enfrentam desafios para se destacar.        

Para se ter uma ideia, no mercado de trabalho em geral, apesar da conscientização e evolução dos últimos anos, ainda é evidente a diferença salarial de homens e mulheres ocupando os mesmos cargos. A mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que, de uma forma geral, as mulheres brasileiras ganham, em média, 76% da remuneração masculina.

Outra pesquisa, realizada pela Catho em 2020, revelou que diretoras ganham 26% a menos que os homens e nos cargos de analistas a diferença salarial é de 35%. A mesma pesquisa indica que os níveis de escolaridade não têm culpa nesta disparidade: mulheres com pós-graduação, MBA ou especialização, ganham 47% a menos e com ensino fundamental 17% a menos que os homens.

Relatando especificamente o ecossistema de inovação, a empreendedora Analu Guimarães, founder da startup mineira Na Lupa Design, observa que o ambiente inovador prega visões mais à frente do tempo, como a igualdade de gênero e uma série de pensamentos e filosofias de vida mais evoluídas. Porém, de acordo com ela, existe, sim, uma estranheza quando uma mulher aparece como líder de um negócio. “Minha startup esteve dentro do Orbi Conecta, um programa de aceleração por mais de 1 ano. Eu era a única founder mulher com uma equipe também feminina dentro do hub. Percebia que eu não era o patinho feio, mas um cisne diferente, pisando em um lugar incomum”, afirma. 

Analu acredita que existem algumas dificuldades pelo fato do cenário de inovação está sempre envolto ao de tecnologia, obviamente, um mercado majoritariamente masculino. Uma expertise que tem sido amplamente explorada pelos homens e as mulheres dependem dessa mão de obra, desse vinculo. “A implementação de um projeto, fazer sair do papel e virar uma solução digital é um grande desafio pelo fato de ainda o conhecimento de tecnologia está segmentado ao público masculino, que nem sempre está receptivo as ideias de mulheres” ,acredita ela, no entanto salientando que  o cenário de inovação é muito fértil pra mulheres que são criativa e pensam fora da caixa. 

Um ecossistema particular, mas com desafios  

Quem concorda com Analu sobre ser um cenário fértil para mulheres  é outra empreendedora, Marina Gontijo. Fundadora e CEO da Ways, empresa de Belo Horizonte voltada para soluções no ramo educacional, ela acredita que o ecossistema de inovação tem suas particularidades para o universo feminino, como competências relacionadas a criatividade de inovar, se envolver em diversos papéis, ter empatia e saber se relacionar.  “Isso faz com que a mulher tenha uma performance interessante no ecossistema de inovação”, pensa.

Em relação ao papel da mulher no mercado de trabalho em geral, Marina afirma que se trata bem desafiador. Segundo ela, mulher já tem que encarar diversos papéis na vida real, ainda mais se forem mãe. Além disso, apesar de serem maioria em quantidade, são minoria em representatividade, fazendo com que tenham que lutar muito para serem vistas.  “A mulher precisa performar muito mais que um homem para conquistar postos de liderança. A gente vê homens com pouca experiência chegando em lugares em que mulheres mais experientes não tiveram a oportunidade”, lamenta.   

A empreendedora relata que mesmo no ecossistema de inovação, às vezes sente um certo preconceito no dia a dia de trabalho. Ela lembra, por exemplo, que quando participa de reuniões de negócios, sempre escuta dos participantes se o sócio dela não vai chegar. “Eu não tenho sócio! A ideia é que realmente ainda se tem muito preconceito com a mulher na área de business”, salienta.